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Assembleia Geral da ONU
Reprodução internet
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Política – A sede das Nações Unidas, em Nova York, volta a concentrar a atenção da diplomacia internacional nesta semana. A Assembleia Geral da ONU inicia seu Debate Geral de 2026 nesta terça-feira (22), reunindo chefes de Estado e de governo para discutir conflitos, mudanças climáticas, inteligência artificial, desenvolvimento sustentável e os rumos da cooperação internacional.

Entre os nomes que estarão no centro das atenções estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro também ocorre em um momento de transição para a própria ONU, já que António Guterres se prepara para deixar o cargo de secretário-geral ao final de 2026.

O tema escolhido para a 81ª sessão é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. A programação oficial prevê debates entre 22 e 28 de setembro, além de reuniões de alto nível sobre questões específicas.

Lula e Trump abrem o Debate Geral

Como ocorre tradicionalmente desde 1955, o Brasil será o primeiro país a discursar no Debate Geral, seguido pelos Estados Unidos. Assim, Lula e Trump estarão entre os primeiros líderes a apresentar suas posições no plenário da ONU nesta terça-feira (22).

A tradição brasileira de abrir os discursos está ligada à atuação do diplomata Oswaldo Aranha, que presidiu a Assembleia Geral em 1947. A prática foi adotada a partir da 10ª sessão, em 1955, e permanece até hoje.

Para o público, o momento representa uma oportunidade de observar como as principais potências e países em desenvolvimento apresentam suas prioridades diante de uma agenda internacional marcada por crises simultâneas.

Conflitos internacionais estarão no centro das discussões

A Assembleia Geral acontece em um cenário de forte tensão geopolítica. As guerras e disputas internacionais devem ocupar parte importante dos discursos e das reuniões realizadas ao longo da Semana de Alto Nível.

A guerra na Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio estão entre os temas que deverão mobilizar a diplomacia internacional. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky também está previsto entre os participantes e confirmou que terá um encontro com Trump em Nova York.

A agenda também inclui discussões relacionadas à segurança internacional, ao financiamento do desenvolvimento e ao funcionamento das instituições multilaterais.

O contexto aumenta a importância dos encontros bilaterais realizados nos corredores da ONU. Afinal, embora os discursos no plenário concentrem grande parte da atenção pública, muitas negociações diplomáticas ocorrem paralelamente às sessões oficiais.

Inteligência artificial ganha espaço na agenda

Outro assunto que deixou de ser exclusivamente tecnológico para se tornar uma questão de política internacional é a inteligência artificial.

A tecnologia aparece entre as prioridades da ONU em 2026, especialmente diante das discussões sobre governança, segurança, desenvolvimento e uso responsável de sistemas de inteligência artificial.

António Guterres tem defendido que a transformação tecnológica seja acompanhada por mecanismos de cooperação internacional. Em manifestações recentes, o secretário-geral destacou a necessidade de adaptar as instituições às mudanças provocadas pelas novas tecnologias.

A presença do tema na Assembleia Geral mostra uma mudança importante na agenda diplomática: decisões sobre tecnologia já não dizem respeito apenas às empresas e aos governos individualmente, mas também envolvem questões de segurança, direitos e desenvolvimento que ultrapassam fronteiras.

Mudanças climáticas e desenvolvimento também entram na pauta

A crise climática terá espaço próprio durante a Semana de Alto Nível. Para 23 de setembro está previsto um evento sobre ação climática e transição justa, reunindo representantes de diferentes grupos de países e setores econômicos.

Dez anos após a adoção do Acordo de Paris, a ONU pretende discutir formas de acelerar a transição energética, fortalecer a segurança energética e ampliar medidas de adaptação diante dos impactos climáticos.

A agenda também contempla os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Em discurso realizado antes da abertura da Semana de Alto Nível, Guterres voltou a destacar temas como desigualdade, pobreza, segurança alimentar, educação e financiamento do desenvolvimento.

Assembleia Geral também discutirá saúde e elevação do nível do mar

A programação de 2026 vai além dos discursos dos presidentes.

Entre os eventos previstos estão uma reunião de alto nível sobre a elevação do nível do mar, marcada para 24 de setembro, e outra sobre prevenção, preparação e resposta a pandemias, prevista para 25 de setembro.

Também haverá uma reunião para marcar os 25 anos da Declaração e do Programa de Ação de Durban e um encontro dedicado à eliminação total das armas nucleares.

A variedade de assuntos ajuda a explicar por que a Assembleia Geral é considerada um dos principais espaços de negociação multilateral. Os 193 Estados-membros têm direito a voto na Assembleia, que também participa de decisões importantes para o funcionamento da própria ONU.

A despedida de António Guterres

A Assembleia Geral de 2026 também tem um componente de transição. António Guterres está em seu último ano como secretário-geral das Nações Unidas e deixará o cargo em 31 de dezembro.

Em sua última coletiva antes da Semana de Alto Nível, Guterres afirmou que o mundo atravessa um período de profunda incerteza e defendeu a adaptação das instituições internacionais às mudanças no cenário global.

A escolha do próximo secretário-geral deverá ocorrer ao longo dos próximos meses. O processo envolve o Conselho de Segurança, que recomenda um nome à Assembleia Geral, responsável pela nomeação.

A sucessão adiciona uma dimensão institucional aos debates deste ano: além de discutir crises internacionais, os países também estarão atentos ao futuro da organização responsável por reunir praticamente toda a comunidade internacional em torno dessas questões.

O que observar durante a Assembleia Geral da ONU

Para quem acompanha a política internacional, alguns pontos devem concentrar a atenção durante os próximos dias:

  • Os discursos de Lula e Trump, que abrem o Debate Geral em 22 de setembro;
  • As discussões sobre guerras e segurança internacional, especialmente diante das crises no Oriente Médio e na Ucrânia;
  • Os encontros bilaterais, que podem abrir espaço para negociações fora do plenário;
  • A governança da inteligência artificial, tema que ganhou espaço na agenda diplomática;
  • As discussões climáticas e sobre desenvolvimento sustentável;
  • A sucessão de António Guterres, que deixará o cargo no fim do ano;
  • A capacidade da ONU de promover acordos e cooperação em um cenário internacional marcado por divergências.

Mais do que uma sequência de discursos, a Assembleia Geral da ONU funciona como um grande ponto de encontro da diplomacia internacional. Em uma semana na qual praticamente todos os grandes temas globais chegam à mesma mesa, os pronunciamentos oficiais são apenas uma parte do que estará em jogo.

A questão que atravessa a programação de 2026 é justamente a capacidade de reconstruir confiança e encontrar formas de cooperação em meio às transformações políticas, tecnológicas, econômicas e ambientais que afetam diferentes países ao mesmo tempo.

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