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A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) protagoniza uma das maiores crises recentes no Congresso após acusar o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) de envolvimento em um suposto caso de estupro de vulnerável. A denúncia, que envolve uma adolescente de 13 anos à época dos fatos, foi encaminhada à Polícia Federal e rapidamente escalou para um embate político aberto.
Advogada de formação e figura conhecida no cenário político, Soraya levou a acusação também às redes sociais. Em publicação no dia 28 de março, desafiou diretamente o deputado a se submeter a um exame de DNA, afirmando que caberia a ele “produzir a prova”. No dia seguinte, reforçou o posicionamento com argumentos jurídicos, destacando que a recusa ao exame pode gerar presunção de paternidade.
A denúncia foi apresentada em conjunto com o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), com base em relatos e indícios que, segundo os autores, justificariam a investigação. Eles afirmam que as supostas provas foram encaminhadas sob sigilo às autoridades.

Alvo das acusações, Alfredo Gaspar reagiu com contundência. O parlamentar negou qualquer envolvimento e afirmou que o caso citado diz respeito, na verdade, a um primo, sem relação com crime. Segundo ele, trata-se de uma tentativa de distorcer fatos antigos e familiares.
A crise atingiu o ápice durante sessão da comissão, quando Lindbergh chamou Gaspar de “estuprador” em plenário. O deputado respondeu chamando o adversário de “bandido”, e a reunião acabou marcada por tumulto e interrupção.
Após o episódio, Gaspar anunciou que irá processar Lindbergh Farias. Em nota pública, afirmou que a situação “ultrapassou todos os limites do aceitável” e classificou as acusações como “infames”.
“Diante da gravidade do que foi dito, informo que adotarei todas as medidas judiciais cabíveis. Ofensa não é argumento e não ficará sem resposta”, declarou.
O deputado também afirmou ter construído uma trajetória “limpa, proba e dentro da lei” e disse que não se intimidará com o que chamou de “ataques desesperados” para desviar o foco das investigações da CPMI do INSS.
Além disso, Gaspar informou que já levou o caso à Polícia Federal, com registro de notícia-crime por coação no curso do processo e denunciação caluniosa, e pretende acionar o Conselho de Ética.
Mesmo com a escalada da crise, Soraya Thronicke mantém a acusação. No entanto, a própria senadora afirmou que poderá pedir desculpas públicas caso o exame de DNA não confirme a denúncia — o que abre a possibilidade de uma retratação futura.
O caso segue sob análise das autoridades e deve ter desdobramentos tanto na esfera criminal quanto política, mantendo a tensão elevada entre os envolvidos e ampliando o impacto no Congresso Nacional.


