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Política – O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusando sindicatos e movimentos sociais de utilizar estruturas, recursos e redes sociais para favorecer a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na quinta-feira (15), o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, negou parte dos pedidos urgentes apresentados pela campanha de Flávio. O magistrado considerou algumas solicitações genéricas e avaliou que as medidas poderiam restringir manifestações políticas legítimas.
A decisão, no entanto, determinou que um sindicato dos Correios no Rio de Janeiro preste esclarecimentos sobre a instalação de um comitê de apoio à reeleição de Lula. O ministro também estabeleceu prazo para que a campanha de Flávio detalhe as condutas atribuídas a dirigentes sindicais citados no processo.
Quais entidades são citadas na ação?
A ação reúne documentos, publicações e declarações que, segundo a campanha de Flávio, indicariam uma atuação coordenada de organizações sindicais, estudantis e movimentos sociais em benefício de Lula.
Entre as entidades mencionadas estão:
- Central Única dos Trabalhadores (CUT);
- Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB);
- União Nacional dos Estudantes (UNE);
- Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN);
- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST);
- União da Juventude Socialista (UJS);
- Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio de Janeiro (SINTECT-RJ).
Ao todo, a petição cita oito centrais sindicais, além de confederações, federações, sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais. As acusações ainda envolvem organizações como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a União Geral dos Trabalhadores (UGT).
As alegações fazem parte do processo e ainda dependem de análise individualizada pela Justiça Eleitoral.
Quais são as acusações contra os sindicatos?
Um dos episódios apresentados pela campanha envolve o ANDES-SN. Segundo a petição, Luis Allan Kunzle, diretor administrativo da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR-SSind), afirmou durante um evento na Universidade Federal do Paraná (UFPR): “Pelo Sindicato Nacional, estamos pondo dinheiro nos comitês em todos os estados do Brasil”.
A ação também menciona o SINTECT-RJ, que divulgou a inauguração, em agosto, de um comitê de apoio à reeleição de Lula em sua sede.
Em relação à CUT, a campanha de Flávio alega que a central divulga de forma recorrente conteúdos eleitorais favoráveis ao atual presidente e contrários ao candidato do PL.
A partir desses episódios, a ação pede que sejam investigadas possíveis práticas de abuso de poder econômico e político e uso indevido dos meios de comunicação. Até o momento descrito na decisão, as alegações não representam uma conclusão judicial de que houve irregularidades.
O que Flávio Bolsonaro pediu ao TSE?
A campanha solicitou que sindicatos e entidades estudantis fossem proibidos de utilizar suas estruturas e seus recursos para divulgar propaganda eleitoral favorável a Lula até as 23h59 de 25 de outubro, data indicada no pedido para o segundo turno.
Também pediu que plataformas digitais, como Meta, X e Google, preservassem dados e publicações relacionados às acusações. Outro requerimento buscava impedir transferências de dinheiro, bens ou serviços de entidades sindicais para comitês e outras estruturas eleitorais.
Para assegurar o cumprimento das medidas, a campanha sugeriu multas de R$ 50 mil por ato ou publicação e de R$ 100 mil por hora de descumprimento atribuída às plataformas.
A legislação eleitoral brasileira proíbe doações diretas ou indiretas de sindicatos a candidatos e partidos. A vedação abrange contribuições financeiras e outras formas de benefício econômico. Entretanto, manifestações de apoio político não configuram automaticamente propaganda irregular ou financiamento ilícito.
Por que o TSE rejeitou parte dos pedidos?
O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva rejeitou, neste momento, os pedidos de proibição geral do uso das estruturas sindicais, de restrição à distribuição de materiais em espaços universitários, de preservação de dados e documentos e de impedimento de repasses de recursos.
Segundo a decisão, as solicitações não delimitavam suficientemente quais condutas deveriam ser proibidas. O ministro também apontou que medidas amplas poderiam restringir direitos relacionados à liberdade de expressão, de associação e de organização sindical.
Na avaliação do corregedor, manifestações políticas não podem ser automaticamente classificadas como propaganda eleitoral irregular ou financiamento ilícito. Para justificar restrições, é necessário identificar de maneira mais precisa as ações e os responsáveis envolvidos.
A decisão não encerra a análise das acusações, mas rejeita, por ora, parte das medidas urgentes solicitadas pela campanha.
Sindicato dos Correios terá de prestar esclarecimentos
Sobre o comitê de apoio à reeleição de Lula instalado na sede do SINTECT-RJ, no Rio de Janeiro, Cueva decidiu solicitar explicações à entidade antes de avaliar se o espaço deverá ser desativado.
O sindicato recebeu prazo de 24 horas para apresentar os esclarecimentos.
Além disso, a campanha de Flávio Bolsonaro deverá individualizar, em até 72 horas, as condutas atribuídas aos demais dirigentes sindicais mencionados na ação. A partir dessas informações, o caso poderá ter novos desdobramentos na Justiça Eleitoral.

