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Ozzy
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Por Odair Dias Filho

O universo do rock and roll e da sétima arte se preparam para um dos encontros mais aguardados das últimas décadas. Chega às telas dos cinemas a celebração definitiva da trajetória de John Michael “Ozzy” Osbourne, o eterno “Príncipe das Trevas”. Entre as salas selecionadas para receber essa atmosfera única de celebração e saudade no litoral paulista, o tradicional Cine Roxy, em Santos, destaca-se como um dos grandes pontos de encontro dos fãs que acompanharam a transformação de um jovem operário de Birmingham em um dos maiores ícones da cultura pop mundial.

A exibição nos cinemas promete ser mais do que uma simples sessão de filme ou concerto: é um verdadeiro rito de passagem e um reencontro com a história viva do heavy metal.

Uma Trajetória de Lendas e hinos que Atravessaram Gerações

A história de Ozzy confunde-se com a própria criação da música pesada. Ao lado do Black Sabbath, no final dos anos 1960, ele ajudou a fundar um gênero inteiro com clássicos soturnos e potentes como “Paranoid”, “Iron Man” e “War Pigs”.

A carreira solo, iniciada nos anos 1980 sob a gestão de sua esposa e empresária Sharon Osbourne e com a genialidade do guitarrista Randy Rhoads, provou que seu talento e carisma eram inesgotáveis. Da lendária (e insana) mordida na cabeça de um morcego ao vivo em 1982 até o estrondoso sucesso do reality show The Osbournes nos anos 2000, Ozzy sempre desafiou os limites do espetáculo.

Sua capacidade de dialogar com diferentes épocas e públicos se refletiu inclusive em colaborações improváveis — como a surpreendente incursão na dance music nos anos 90 ao lado de Madonna na faixa “Shake Your Head”, mostrando sua flexibilidade e alcance cultural.

Trechos Marcantes: Poesia, Peso e Vulnerabilidade

Para compreender por que a música de Ozzy continua comovendo pais, filhos e netos, basta olhar para a profundidade de suas composições. A versatilidade do artista transita da doçura romântica de uma balada histórica à crítica corrosiva sobre a paranoia e os conflitos do mundo.

1. “Mama, I’m Coming Home” (1991)

Escrita em parceria com Lemmy Kilmister (Motörhead), a música tornou-se uma das baladas mais emocionantes do rock, revelando o lado mais vulnerável e humano de Ozzy:

“Times have changed e time is strange

Here I come, but I ain’t the same

Mama, I’m coming home…”

Tradução:

“Os tempos mudaram e o tempo é estranho

Aqui vou eu, mas não sou o mesmo

Mãe, estou voltando para casa…”

2. “Crazy Train” (1980)

Com um dos riffs de guitarra mais marcantes da história, a canção aborda a loucura da Guerra Fria e a necessidade de empatia em meio ao caos social:

“Crazy, but that’s how it goes

Millions of people living as foes

Maybe it’s not too late to learn how to love and forget how to hate…”

Tradução:

“Loucura, mas é assim que as coisas são

Milhões de pessoas vivendo como inimigas

Talvez não seja tarde demais para aprender a amar e esquecer como odiar…”

O Amor pelo Brasil e a Apoteose no Rock in Rio

A conexão de Ozzy Osbourne com o público brasileiro é profunda e visceral. Em janeiro de 1985, o vocalista pisou no país para fazer parte da histórica primeira edição do Rock in Rio. Naquele momento, diante de uma multidão em transe na Cidade do Rock, Ozzy consagrou de vez o gênero no país, entoando hinos que ficariam gravados na memória dos fãs nacionais.

Anos mais tarde, em edições subsequentes do festival (como em 2011) e em turnês solo pelo Brasil, a relação de amor mútuo se reafirmou. O público brasileiro sempre retribuiu o carinho do cantor com uma energia única, transformando cada apresentação em um espetáculo inesquecível.

A Estreia no Cine Roxy: Um Encontro de Gerações em Santos

Para os cinéfilos e roqueiros da Baixada Santista, a estreia nas telonas do Cine Roxy representa um momento especial de celebração comunitária. O tradicional cinema de rua no Gonzaga, que ao longo de décadas acompanhou as transformações da cultura na região, abre suas portas para reunir velhos fãs e novas gerações que aprenderam a amar o som do Black Sabbath e da carreira solo de Ozzy através de discos de vinil, CDs e das plataformas digitais.

Ver o Príncipe das Trevas em alta definição e com som imersivo de cinema não é apenas assistir a um filme: é testemunhar a imortalidade de uma obra que recusa o esquecimento e continua ecoando como um grito de liberdade, paixão e pura energia.

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