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Mundo – Christa Pike, de 50 anos, sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal na noite de quarta-feira (30), no estado do Tennessee, nos Estados Unidos. Condenada à morte pelo assassinato de uma colega em 1995, ela recebeu duas doses de pentobarbital, mas permaneceu viva e foi encaminhada a um hospital.
O procedimento ocorreu na prisão de segurança máxima Riverbend, em Nashville. Jornalistas que acompanharam a execução relataram que Pike continuava respirando e apresentava roncos, suspiros e reclamações de desconforto no braço após a aplicação dos medicamentos.
A defesa entrou com uma petição de emergência na Justiça para tentar interromper o procedimento. Segundo os advogados, os relatos das testemunhas indicavam que a condenada permanecia viva mesmo depois das duas aplicações.
O Departamento de Correção do Tennessee afirmou que os agentes seguiram o protocolo oficial e que não havia previsão de procedimentos adicionais. A condição de saúde de Pike não havia sido divulgada até a publicação das primeiras informações sobre o caso.
Governador suspende execuções após falha
Após o episódio, o governador do Tennessee, Bill Lee, determinou a suspensão das execuções previstas para o restante de 2026 e anunciou uma investigação independente para esclarecer o que aconteceu.
A decisão foi divulgada depois da tentativa frustrada de executar Pike, que seria a primeira mulher morta por pena capital no estado em mais de 200 anos, segundo registros históricos disponíveis.
Esse foi o segundo procedimento de execução malsucedido no Tennessee em 2026. Em maio, autoridades interromperam a tentativa de aplicar uma injeção letal em Tony Carruthers, condenado por assassinatos, após dificuldades para encontrar uma veia adequada.
Até o momento, as autoridades não apresentaram uma explicação definitiva para a falha no procedimento envolvendo Pike.
Christa Pike foi condenada por assassinato cometido em 1995
Pike tinha 18 anos quando participou do assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em Knoxville, no Tennessee. O crime ocorreu em janeiro de 1995, quando as duas frequentavam um centro de formação profissional.
De acordo com a investigação e os registros do processo, Pike, seu namorado, Tadaryl Shipp, então com 17 anos, e uma terceira pessoa atraíram Slemmer para uma área de mata. A jovem foi torturada e morta.
Pike e Shipp confessaram participação no crime e foram condenados por homicídio em primeiro grau. Ela recebeu a pena de morte, enquanto Shipp foi condenado à prisão perpétua, com possibilidade de liberdade condicional.
A mãe da vítima, May Martinez, manifestou apoio à execução e afirmou que esperava havia décadas pelo cumprimento da sentença.
Defesa alegou histórico de abusos e problemas de saúde mental
Nos pedidos de clemência apresentados antes da execução, os advogados de Pike destacaram episódios de violência e abuso sexual sofridos por ela durante a infância e a adolescência.
A defesa também mencionou diagnósticos de transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático recebidos durante o período em que ela esteve presa. Os advogados argumentaram que essas circunstâncias deveriam ser consideradas na avaliação da pena.
Pike afirmou, em declaração divulgada por sua defesa, que levou anos para compreender a gravidade do assassinato e o impacto causado à família da vítima.
O governador Bill Lee, porém, negou o pedido de clemência na segunda-feira (28), mantendo a sentença de morte.
Execuções de mulheres são raras nos Estados Unidos
A tentativa de execução de Pike chamou atenção por sua condição de mulher condenada à morte e pelo fato de o crime ter sido cometido quando ela tinha 18 anos.
Desde que a Suprema Corte dos Estados Unidos restabeleceu a pena de morte, em 1976, 18 mulheres foram executadas no país, segundo o Death Penalty Information Center. O número representa cerca de 1% das execuções realizadas no período.
A última execução de uma mulher nos Estados Unidos antes do caso de Pike ocorreu em 2023, no Missouri, quando Amber McLaughlin foi morta por um assassinato cometido em 2003.
O episódio no Tennessee também reacendeu discussões sobre a aplicação da pena capital em casos envolvendo pessoas jovens e sobre os procedimentos utilizados nas execuções por injeção letal.

