|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Política – A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que a declaração do candidato sobre “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo” se refere a uma oração que ele pretende fazer antes da leitura do termo de posse, caso seja eleito presidente da República.
A explicação foi divulgada nesta segunda-feira (28), em meio à repercussão de conteúdos que associaram a declaração do senador a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Não há, porém, projeto de Flávio com esse objetivo. A proposta que tratava da alteração do título foi apresentada em 2007 e acabou arquivada pela Câmara dos Deputados em 2022.
O que diz a campanha de Flávio
Segundo o comunicado, Flávio faria uma oração antes de ler o termo de posse e entregaria simbolicamente o Brasil a Jesus Cristo.
A campanha afirmou ainda que o gesto teria como objetivo agradecer e pedir proteção e bênção para os brasileiros. Também declarou que o candidato defende o respeito a todas as religiões e formas de manifestação da fé.
A declaração original de Flávio foi feita em agosto, em um vídeo no qual o então candidato explicava sua ausência no primeiro debate presidencial da Band.
Na ocasião, ele afirmou que, caso chegasse à Presidência, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A fala passou a ser novamente compartilhada durante a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida.
O que é a falsa informação sobre Nossa Senhora Aparecida
Publicações nas redes sociais relacionaram a declaração de Flávio a uma suposta proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A informação, no entanto, não corresponde a um projeto apresentado pelo candidato. Segundo informações verificadas pela CNN, a proposta que circulou como sendo relacionada a Flávio foi o Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli, à época filiado ao PMDB.
O texto pretendia alterar a legislação referente ao feriado de 12 de outubro e substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto foi arquivado pela Mesa Diretora da Câmara em 22 de agosto de 2022.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também afirmou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação das informações falsas relacionadas ao caso.
Deputada saiu em defesa do candidato
A deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), que já presidiu a Frente Parlamentar Católica, defendeu a interpretação apresentada pela campanha.
Segundo ela, a declaração sobre Jesus não significaria uma oposição à devoção a Nossa Senhora Aparecida. Marquetto também afirmou que considera que Flávio respeita a fé católica.
A parlamentar foi cotada para ocupar a posição de vice na chapa de Flávio. Ela é autora do projeto que criou o Dia Nacional do Rosário da Virgem Maria, celebrado em 7 de outubro.
Entidade evangélica também se manifesta
O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) também divulgou uma manifestação em defesa de Flávio.
A entidade classificou como falsa a informação que relacionou o candidato à retirada do título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida e afirmou que a circulação do conteúdo poderia estimular conflitos entre católicos e evangélicos.
O Cimeb declarou ainda que não existe, segundo a entidade, iniciativa de líderes evangélicos vinculada a candidaturas para cancelar feriados ou cultos de outras religiões.
O episódio ocorre durante a campanha eleitoral de 2026 e em meio a uma disputa pública entre os candidatos sobre o uso de temas religiosos no debate político. Flávio também participou, nesta segunda-feira (28), de um ato em São Paulo no qual apareceu ao lado de Tarcísio de Freitas segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

