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acordo sobre a Groenlândia
Reprodução internet
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Mundo – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve assinar nesta terça-feira (22) um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia para ampliar a presença militar americana na ilha do Ártico. A cerimônia está prevista para ocorrer durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

O pacto envolve também a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen. Segundo informações divulgadas pela Reuters, o acordo permitirá que os Estados Unidos ampliem sua estrutura militar no território, atualmente composto pela Base Espacial de Pituffik.

A previsão é de que duas novas instalações sejam incorporadas à estrutura americana. Uma delas ficará em Narsarsuaq, no sul da ilha, onde funcionou uma base militar dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. A outra será em Mestersvig, na costa leste, região atualmente utilizada pela Patrulha de Trenós Sirius, unidade das forças especiais dinamarquesas.

Acordo ainda não teve texto divulgado

Apesar da cerimônia de assinatura estar marcada, o conteúdo completo do acordo ainda não foi divulgado. Fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que os detalhes jurídicos ainda não estavam totalmente definidos antes da assinatura.

Também não está claro se o novo pacto modificará o tratado de defesa firmado entre Estados Unidos e Dinamarca em 1951, que estabeleceu a base legal para a presença militar americana na Groenlândia, ou se criará uma estrutura jurídica adicional.

O acordo representa uma mudança na estratégia adotada por Trump em relação à ilha. Desde o fim de 2024, o presidente americano vinha defendendo a importância estratégica da Groenlândia para os Estados Unidos e chegou a afirmar que não descartaria medidas econômicas ou militares para obter controle sobre o território.

A nova negociação, porém, mantém a Groenlândia dentro do Reino da Dinamarca. Autoridades dinamarquesas afirmam que o pacto preserva a soberania do reino e reconhece o direito dos groenlandeses à autodeterminação.

Segurança do Ártico passa a ter participação da Otan

Um dos pontos apresentados pelas autoridades dinamarquesas é a inclusão da segurança do Ártico em uma estrutura mais ampla da Otan. A mudança busca evitar que a proteção da região fique exclusivamente sob responsabilidade dos Estados Unidos e da Dinamarca.

A Groenlândia ocupa uma posição estratégica entre o Ártico, a América do Norte e o Atlântico Norte. A localização é relevante para operações de vigilância, defesa antimísseis, monitoramento espacial e controle de rotas marítimas.

A Base Espacial de Pituffik, localizada no noroeste da ilha, já desempenha funções relacionadas ao alerta de mísseis, defesa antimísseis e vigilância espacial para os Estados Unidos e a Otan.

Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos chegaram a manter 17 instalações militares na Groenlândia e milhares de militares no território. A presença americana foi reduzida posteriormente, permanecendo atualmente a base de Pituffik como principal instalação militar dos EUA na ilha.

Trump fala em controle da segurança

Trump afirmou anteriormente que o acordo daria aos Estados Unidos controle permanente sobre a segurança e outras necessidades relacionadas à Groenlândia. A declaração gerou interpretações diferentes entre Washington e Copenhague sobre o alcance do pacto.

O governo dinamarquês, por sua vez, sustenta que a Groenlândia continuará sob soberania do Reino da Dinamarca. A liderança groenlandesa também afirma que o acordo reconhece os interesses da população local e o direito à autodeterminação.

Além da questão militar, a ilha desperta interesse por sua posição geográfica e por seus recursos minerais. A disputa em torno da Groenlândia provocou tensão entre Estados Unidos e aliados europeus nos últimos meses, especialmente depois das declarações de Trump sobre a possibilidade de aquisição do território.

A assinatura do novo acordo busca estabelecer uma estrutura de segurança para o Ártico sem alterar formalmente o status territorial da Groenlândia. A efetivação de determinadas medidas ainda dependerá dos procedimentos políticos e parlamentares necessários na Dinamarca e na própria Groenlândia.

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